Um dos dias mais esperados do ano, o tradicional jantar de Natal da empresa. Nada como delimitar algumas regras para sobreviver com a reputação intacta a este tipo de eventos.

O fundo desta fotografia parece denunciar pastilha de casa de banho. Quiçá de discoteca. E este é precisamente o tipo de cenário e situação que se deve evitar numa festa de Natal de empresa.Getty Images/iStockphoto

O ideal seria aplicar-se o velho princípio lasveguiano: o que acontece na festa de Natal da empresa fica na festa de Natal da empresa. Evitavam-se, dessa forma, todos os possíveis — e frequentes — embaraços decorrentes de uma abordagem descuidada ao evento, comentados e difundidos até à exaustão nos dias seguintes, sobretudo junto ao refeitório, durante a sempre angustiante espera pela sineta do micro-ondas. “Viste o Miguel dos Recursos Humanos a dançar Ricky Martin em cima da coluna?” “E a Catarina da Contabilidade, que entornou meio balão de gin na camisa do administrador, enquanto lhe pedia um aumento?”

A verdade crua e dura, porém, é que as festas de Natal de empresa não querem saber de Las Vegas nem dos seus princípios para coisa nenhuma. Os Miguéis e as Catarinas que se cuidem, portanto. E cuidar-se significa, neste caso, respeitar algumas leis fundamentais — umas mais fundamentais que outras, é certo — que garantem sobrevivência incólume ao evento. A saber:

Brindar com água dá azar? Azar.

Comecemos pelo óbvio: o consumo desenfreado de álcool é a razão mais frequente de tudo o que de errado acontece nestes eventos. A comida demora a chegar, o gelo custa a quebrar e os primeiros copos ajudam a conversa fluir com leveza. Até aí tudo bem. O pior vem depois, disfarçado da velha pergunta de retórica: “Vamos brindar?” Um brinde aqui, outro ali, e “com água não, que dá azar”, afiançam os especialistas de ocasião, já com a língua a querer aninhar-se, enroladinha, no céu da boca. Sacana do mito. A culpa, diz-se, é dos gregos, que brindavam aos mortos com água. Mas é melhor ser azarado do que bêbado. Especialmente num jantar de empresa.

Comecemos pelo óbvio: o consumo desenfreado de álcool é a razão mais frequente de tudo o que de errado acontece nestes certames. A comida demora a chegar, o gelo custa a quebrar e os primeiros copos ajudam a conversa fluir com leveza. Até aí tudo bem. O pior vem depois, disfarçado da velha pergunta de retórica: “Vamos brindar?” Um brinde aqui, outro ali, e “com água não, que dá azar”, afiançam os especialistas de ocasião, já com a língua a querer aninhar-se, enroladinha, no céu da boca. Sacana do mito. A culpa, diz-se, é dos gregos, que brindavam aos mortos com água. Mas é melhor ser azarado do que bêbado. Especialmente num jantar de empresa.

Falar de trabalho pravemente a sua saúde e a dos que o rodeiam

Pedir a um grupo de colegas sentados à mesma mesa durante horas para não tocar no assunto trabalho é como dar um microfone a Donald Trump e pedir-lhe que não seja xenófobo. É preciso aceitar que isso vai acontecer, mais tarde ou mais cedo. Se for feito com moderação é aceitável — falar de trabalho, não ser xenófobo — e se os interlocutores se entusiasmarem com o tema o problema é deles. Mas atenção: o álcool (ver ponto acima) pode levar alguém a dizer algo que se arrependa mais tarde. Será mais proveitoso, sobretudo na presença de superiores hierárquicos, discutir assuntos frívolos. Sem ideias? Este blog, que até deu origem a um livro, “Conversation Sparks”, dá uma ajuda. Em último caso, e como nos lembrou Romário, calados todos podemos ser poetas. Até Pelé.

Um amigo secreto não é um amigão

Não raras vezes a festa de Natal de empresa inclui uma troca de presentes entre trabalhadores, recorrendo ao conhecido método do amigo secreto. Há quem jogue pelo seguro, há quem seja criativo, mas também há quem se atire, e de cabeça, para fora de pé, aproveitando a ocasião para livrar-se de bugigangas que lhe pesam em casa ou, através de um objeto, fazer graçolas pessoais, declarações de amor inusitadas ou até um pedido de aumento/promoção.

Saber sair no momento certo é uma virtude

Este ponto é válido para muitas coisas na vida: de uma carreira desportiva (sim, Ronaldinho Gaúcho, é contigo) ou musical a uma noite no casino. Neste tipo de ocasiões, aplica-se o mesmo raciocínio: é fulcral conseguir identificar o momento em que a decadência começa a espreitar e já só há mais a perder do que a ganhar. Aí, como dizem os ingleses, é chamar-lhe uma noite. E se tiver de ser à francesa — pela calada, para evitar os habituais “só mais um copo, vá lá” — que seja. Com alguma sorte, no dia seguinte ninguém se vai lembrar.

 

Imagens: gettyimages, istockphotos

Texto: Tiago Pais, em Observador.pt

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